Em meados de maio de 1983, eu tive um sonho muito especial que me marcou profundamente. Basicamente o sonho se resumia numa sensação de êxtase que eu nunca havia sentido antes. Em sonhos deste tipo se percebe uma qualidade espiritual pelo imprint que deixam na nossa consciência.
O sonho era num lugar com muitos compartimentos de paredes brancas, sem portas sem janelas e sem teto. O céu azul entrava em todos os cômodos. No chão se espalhavam violetas aos milhares. Eu estava sozinha no meio delas, andando com muito cuidado para não machucá-las. Do sonho ficou a sensação de alegria, de êxtase e de extrema beleza.
Nesta época tive vários outros sonhos premonitórios em relação à enchente de Blumenau, que altura que a água chegaria, etc., o que depois veio se concretizar.
A enchente nos expulsou da casa onde eu morava com a minha família , nos obrigando a morar em outro lugar. A casa ficou abandonada e depois das enchentes de 1984 foi desmontada e ficou só no esqueleto.
Depois de perder a casa eu adoeci, e fiquei durante vários anos procurando a cura para os meus males (artrite, artrose, tendinite, artrite reumatóide, osteoporose). Tudo isso ocasionava muitas dores físicas.
Em 1986, portanto três anos após o sonho, novamente em maio (dia das mães), a Blumenhaus, floricultura onde eu era proprietária, recebeu de uma empresa cliente um pedido de 980 violetas para presentear às mães. Como as flores tomavam muito espaço, pedi ao motorista para acomoda-las até a entrega na antiga casa, agora desocupada. Mesmo assim fui conferir para ver se elas estariam bem instaladas.
Era uma tarde de maio de céu límpido, bem azul, com a luminosidade de fim de tarde e ar de inverno. Qual não foi a minha surpresa: vi o sonho agora na realidade. Eu no meio desta profusão de violetas, com a mesma sensação de êxtase. A partir dali comecei a associar o sonho com o lugar. Comecei a me perguntar, “que lugar é este e o que o sonho queria me dizer?”. Comecei decifrando o sonho através das violetas. Percebi que a violeta tinha um rosto. Comecei a associar este rostinho com pessoas. Mais tarde intuí que ali seria um lugar para trabalhar com pessoas. Mas que trabalho seria este? Ainda vieram muitos outros sinais e eu fui confiando na minha intuição lendo estes sinais. E eu definia tudo mais ou menos assim: Este lugar seria um pronto socorro do futuro, onde as pessoas pudessem procurar orientação para o seu caminho de vida, com profissionais competentes e dispostos a ajudar no que fosse necessário no momento. Seria um lugar onde as pessoas pudessem viver o seu processo de transformação com calma e segurança. Fora não existia algo para comparar ou copiar. Era algo completamente novo.
O nome Anahata é uma palavra em sânscrito que significa “o som inaudível do universo”, “a música das esferas”, e que por coincidência é o nome do chakra cardíaco. No dia da escolha do nome não surgiu nenhuma segunda opção. Todo o processo entre o sonho e o nascimento do Anahata levou dez longos anos cheios de valorosos insights.
Elsbeth Willecke
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